Em seu livro As Personalidades do Dinheiro, Glória Maria Garcia Pereira nos revela as personalidades das pessoas ao lidar com dinheiro, à sua maneira. Uma delas é o escravo do dinheiro.
O escravo do dinheiro é aquele que trabalha pelo dinheiro. Faz o que não gosta e não abre mão, porque tem que pagar as contas, as dívidas no final do mês. Geralmente não vivem, afinal, passam a maior parte da vida fazendo algo que não lhes agrada, e morrem cedo, por problemas de saúde causados pelas frustrações.
Segundo a autora, o escravo contemporâneo é o escravo digital:
“O plugado direto é um novo tipo de escravo, fruto da Internet. É o que quer ganhar dinheiro rápido em cima das diferenças das cotações de ações das bolsas de valores. Associa a sua profissão a atividade direta de compra e venda de ações. E fica plugado 24 horas, não conseguindo viver em outra realidade (...)”(PEREIRA, G.M.G., 2005)
A autora associou a personalidade de escravo do dinheiro ao mercado de ações e à personalidade dos daytraders, aqueles que tentam ganhar dinheiro com o spread (diferença) diário das ações. Geralmente, ficam com os papéis por um ou alguns dias.
É claro que existem estratégias para minimizar as perdas e/ou aumentar os lucros com esse tipo de investimento, geralmente associadas à Análise Técnica das ações, na qual você analisa a movimentação dos ativos através de gráficos de preço e de volume de negociação, basicamente.
A estratégia pode funcionar, mas exige acompanhamento pesado do pregão. As pessoas não conseguem realizar esse tipo de investimento a não ser que gostem de ficar ali, minuto a minuto, acompanhando os gráficos. E ela para de funcionar se você chegar ao ponto de escravo, ou seja, quando não está ali somente por diversão e interesse, e está pensando somente no dinheiro ou nas contas que tem de honrar no final do mês. Pode lhe trazer problemas de saúde e de humor, e ainda lhe corroer o patrimônio. Pense nisso.
Como disse Maurício Hissa no livro Investindo em Opções, o objetivo é não se tornar um operador Gollum, em alusão ao personagem de J.R.R. Tolkien do livro/filme O Senhor dos Anéis, e apenas "remunerar o seu capital", ou seja, fazê-lo crescer, e não viver de bolsa.
Leia a resenha As Personalidades do Dinheiro




